Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007

Batalha de Canas

No contexto da guerra entre Cartago e Roma foi travado um dos mais célebres combates da Antiguidade, a Batalha de Canas, durante a qual Aníbal, justificando a fama de grande estratega, engendrou uma táctica complexa.
Resultado: infligiu uma pesada derrota às legiões romanas, que, comandadas por Paulo Emílio e Marco Terêncio, ali perderam, em poucas horas, mais de 70 mil homens.


Cartago escolheu a guerra

Foi a maior derrota da história romana: Segundo Políbio, 70 mil legionários cairam aos pés de hispanos, celtas e africanos. Contudo, o vencedor dessa batalha, Aníbal, não se atreveu a atacar Roma.
Em 219 a. C., o general cartaginês Aníbal Barca, empenhado em conquistar a Península Ibérica, destruiu a cidade de Sagunto, aliada dos romanos. Embora Roma tivesse acabado de submeter a Itália, após anos de uma guerra penosa, o Senado enviou uma mensagem a Cartago sem ambiguidades: exigia a cabeça de Aníbal. Na cidade norte-africana, o Grande Conselho viu-se perante um dilema: guerra ou paz. Escolheu a guerra.
O episódio de Sagunto foi apenas um entre muitos choques registados entre os dois impérios, o romano e o cartaginês, que tentavam há meio século dominar o Mediterrâneo Ocidental.
Vencedora da I Guerra Púnica, Roma via com preocupação a crescente influência de cartago na Hispânia, impulsionada pelos cabecilhas da poderosa família Barca: Amílcar, Asdrúbal e Aníbal.
Na I Guerra Púnica iam enfrentar-se duas concepções muito diferentes da milícia e da prática da guerra. Roma possuía um Exército baseado no serviço obrigatório de todos os homens entre os 17 e os 46 anos, o que permitia, pelo menos no papel, chamar às fileiras 225 mil cidadãos e cerca de meio milhão de aliados da Liga Itálica.
Contudo, a verdade é que os únicos mobilizados eram aqueles que podiam pagar o respectivo equipamento, pelo que uma enorme massa de destituídos fica automaticamente excluída. Por outro lado, o problema fundamental do Exército romano consistia no facto de os seus generais serem cônsules eleitos para aqueles postos por um ano, o que implicava pouco ou nenhum profissionalismo em cargos de tal responsabilidade.
Não espanta, assim, a utilização de tácticas absolutas, nas quais a cavalaria, por exemplo, desempenhava um papel mais do que secundário.
Por seu turno, Cartago, cidade de mercadores por excelência, deixava a respectiva segunrança nas mãos de uma Marinha poderosa e em exércitos compostos por berberes da Líbia, da Tunísia e da Argélia e, cada vez mais, por povos iberos das regiões submetidas na Península. Eram exércitos relativamente pequenos e heterogéneos, embora bem treinados e leais aos seus comandantes, militares profissionais entre os quais se incluía Aníbal Barca.


Cartago

Situada a uma dúzia de quilómetros a nordeste da actual capital da Tunísia, Tunes, Cartago foi fundada em 814 a.C., pelos Fenícios de Tiro. A sua edificação ficou a dever-se à necessidade que se colocava a um povo de vocação marítima, entretanto impedida de contactar com a cidade de Tiro, devido ao domínio grego no Mediterrâneo Oriental.
Face à sua realidade, Cartago tornou-se mesmo independente da Fenícia. Capital de uma república marítima poderosa, fundou colónias na Sicília e na Península Ibérica e desafiou o poderio de Roma, nas chamadas Guerras Púnicas, atingindo o seu auge de grande potência militar com a vitória de Aníbal.

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publicado por delta às 00:21
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